Novos modelos terão que declarar eficiência energética um terço abaixo das mediões em laboratório
Quando uma montadora informa que determinado modelo tem determinada autonomia, não dá para comprar os números como verdade absoluta. Esses são números de referência. O consumo real é influenciado por uma série de fatores, e até mesmo de pequenas diferenças entre cada unidade produzida.
Acontece que nos elétricos, essa diferença é maior, e parece estar causando problemas para as montadoras ao longo do planeta. Aqui no Brasil, então, as diferenças ficaram muito claras muito rápido, a ponto de unidades regulamentadores entrarem em ação.
Em um carro térmico, o motor gera energia para movimentar o carro e para recarregar a bateria. O uso de equipamentos elétricos influencia o consumo, mas de forma mais suave e estável. Já em um carro elétrico, não há motor alimentando a bateria – há apenas a bateria. Todos os outros equipamentos do veículo vão consumir da mesma fonte. Por isso, todo e qualquer equipamento usado ao longo do trajeto gera uma influência clara no consumo e na autonomia final – até mesmo limpador de pára-brisas e faróis.
Mas não é só por conta disso que o INMETRO decretou a redução da informação da autonomia dos carros. O principal fator é o uso dado aos carros.
Na China, por exemplo, os carros elétricos são quase exclusivamente urbanos. E está certo: essa é a praia deles. Eles levam vantagem em arrancadas, do uso em baixa velocidade e até das paradas, já que durante as frenagens, conseguem recuperar energia. E quando um carro elétrico está parado, seu motor não consome energia nenhuma.
Já no asfalto, os carros elétricos precisam se desdobrar um pouco. Velocidade alta faz eles consumirem muita energia e há pouca regeneração de energia por frenagens, reduzindo expressivamente a autonomia. Essa praia pertence os carros térmicos, com motores que mantém potência e torque suficientes para rasgar o ar em altas velocidades durante várias horas.
O ponto é que os brasileiros usam seus carros elétricos para tudo. Alguns, praticamente só para viagens. E não há nada errado nisso. Mas é necessário entender que com esse uso, os carros elétricos vão entregar um tanto a menos do que o declarado pela empresa.
Prevendo uma série de problemas que podem ser gerados por isso, o INMETRO determinou a redução da declaração de autonomia dos carros elétricos em 30%. Mundo afora, essa diferença já causou problemas. Na Coreia do Sul, a Tesla foi multada em mais de 2 milhões de dólares por conta de informações de autonomia que não se mostraram reais naquele ambiente.
Para ajudar consumidores (e até empresas) a evitar informações não muito fidedignas, o site evdatabase.org traz estimativas de alcance reais com critérios bem claros. Infelizmente, para os brasileiros, esses critérios não ajudam muito, já que não incluem ar-condicionado ligado. E o danadinho faz muita, muita diferença…
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